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Pesquisa inédita dimensiona o enoturismo brasileiro

Levantamento da Escola de Enoturismo reúne dados de 51 vinícolas de seis estados, que recebem mais de 1,2 milhão de visitantes por ano

18 de agosto de 2026
Pesquisa inédita dimensiona o enoturismo brasileiro

A radiografia do enoturismo brasileiro começa a ganhar contornos mais claros. Uma primeira amostragem realizada pela Escola de Enoturismo reuniu dados de 51 vinícolas de seis estados (Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), que recebem juntas 1.223.482 visitantes por ano e mantêm 834 colaboradores dedicados diretamente à atividade. Os primeiros resultados da pesquisa foram apresentados no dia 13 de agosto, durante o I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, em São Paulo.

O estudo aponta que, em média, 34,7% do faturamento das vinícolas pesquisadas vem do enoturismo, com variação de 1% a 98% entre as empresas participantes, um retrato de estágios de maturidade e modelos de negócio bastante distintos. A amostragem sugere ainda que o enoturismo tende a pesar proporcionalmente mais no faturamento de vinícolas menores, ao mesmo tempo em que médias e grandes empresas passam a tratar a atividade não apenas como ferramenta de relacionamento e promoção de marca, mas como unidade de negócio com potencial próprio de geração de receita.

Entre as 51 vinícolas que responderam à primeira etapa da pesquisa estão nomes como Chandon, Cooperativa Aurora, Cooperativa Garibaldi, Miolo, Salton, Geisse, Casa Perini e Guaspari, além de rótulos de menor escala espalhados pelas seis regiões pesquisadas. A coleta de dados segue em aberto, e vinícolas que ainda não responderam ao questionário podem enviar suas informações.

Além de mapear visitantes, empregos e participação no faturamento, o levantamento identificou lacunas de qualificação profissional. Faltam, segundo as vinícolas consultadas, atendentes especializados em enoturismo, inclusive para reforço em fins de semana e alta temporada, profissionais com domínio de inglês e espanhol, quadros de liderança e gestão, equipes de gastronomia e restaurantes, e trabalhadores para limpeza e higiene. Para os responsáveis pela pesquisa, o problema não é escassez de mão de obra, mas a falta de mão de obra especializada para atender vinícolas que já não se limitam a visitas e degustações, e ampliaram a oferta para restaurantes, hospedagem, experiências nos vinhedos, eventos e programas personalizados.

A pesquisa nasceu da constatação de que o Brasil não dispõe de indicadores consolidados sobre o mercado de trabalho, o volume de visitantes, a participação no faturamento e as competências demandadas pelo enoturismo. O questionário foi estruturado em torno de quatro perguntas centrais: número de colaboradores ligados à atividade, volume de visitantes, participação no faturamento e principais dificuldades de contratação. A intenção é ampliar progressivamente a base de vinícolas participantes e transformar o diagnóstico em ferramenta permanente de acompanhamento do setor.

Forum Enoturismo - pesquisa formação de mão de obra 2.jpeg Criada em maio, a Escola de Enoturismo atua sobre três pilares (Território e Origem, Comunicação e Experiência, e Negócio) e é conduzida pela mestre em Enoturismo Ivane Remus Fávero, pela jornalista Lucinara Masiero e pelo especialista em Enoturismo Artur Tremper Farias. A primeira turma presencial de Nível 1, realizada no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, já concluiu a formação, e uma nova turma, desta vez on-line, começa no dia 17 de agosto. "O enoturismo já é negócio. Quando 51 vinícolas recebem mais de 1,2 milhão de visitantes em um ano e a atividade responde, em média, por mais de um terço do faturamento das empresas pesquisadas, estamos falando de uma atividade econômica que precisa ser olhada também pela perspectiva das pessoas que irão sustentar esse crescimento", destacam os fundadores da escola.

O I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas reuniu representantes dos setores de gastronomia, enoturismo e café em São Paulo, com espaço para degustações, divulgação de roteiros e exposição de produtos de todas as regiões do país, além do lançamento de um guia trilíngue de rotas de enoturismo e vinícolas na América do Sul. O evento, realizado no Espaço L'Atelier, no World Trade Center, com apoio da Prefeitura de São Paulo, foi organizado pela revista Adega, com apoio da ONU Turismo e da Secretaria Municipal de Turismo. Para o secretário municipal de Turismo, Gustavo Lopes, iniciativas como essa reforçam o papel da cidade no setor: "São Paulo é a porta de entrada dos turistas estrangeiros no Brasil e cresce também no turismo doméstico. Eventos deste tipo fomentam o turismo e impactam positivamente em todo o trade turístico. O setor, que já é bastante significativo na economia e no turismo local, ainda tem muito espaço para crescimento na capital."

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